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31/01/2022

O fígado é o órgão central do metabolismo de lipídios e glicose no corpo humano, e por isso
tem papel vital na manutenção da homeostase. No entanto, a sobrecarga do fígado devido ao
excesso de ácidos graxos provenientes de uma dieta desbalanceada, está associada a efeitos
negativos para o fígado e também em outros órgãos.


O desenvolvimento de doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), também conhecida
como esteatose hepática resulta da união de diversos fatores: 1) o aumento da entrada ácidos
graxos livres no fígado derivados de tecido adiposo resistente à insulina; 2) alteração no
processamento hepático dos lipídios ingeridos; 3) exportação prejudicada de lipídios do fígado
para a circulação sanguínea.


A esteatose hepática já é reconhecida como a causa mais comum de doença hepática crônica
em todo o mundo. Sua prevalência aumentou para mais de 30% dos adultos nos países
desenvolvidos e sua incidência ainda está aumentando. Esse aumento de incidência está
diretamente relacionado com o aumento dos casos de obesidade, Síndrome Metabólica e
Diabetes Mellitus tipo 2.


A maioria dos pacientes com esteatose hepática desenvolve um quadro de esteatose simples,
mas até um terço dos pacientes pode progride para sua forma mais grave de esteatohepatite
não alcoólica (NASH). A NASH é caracterizada por inflamação e lesão hepática, aumentando
drasticamente o risco de desenvolver fibrose hepática e câncer.


A esteatose é considerada a manifestação hepática da síndrome metabólica. No entanto, as
alterações em outros órgãos, como no tecido adiposo, a barreira intestinal e o sistema
imunológico também podem promover da progressão dessas doenças hepáticas.


Alterações na composição da microbiota intestinal como as disbioses geram alterações na
função de barreira intestinal aumentando a permeabilidade de endotoxinas bacterianas para a
corrente sanguínea, estas endotoxinas tem papel fundamental não apenas no início, mas
também na progressão da esteatose hepática. Essas endotoxinas bacterianas derivados do
intestino contribuem para a ativação de processos inflamatórios no fígado. Por isso, o sistema
imunológico inato e o aumento da produção de citocinas pró-inflamatórias também estão
diretamente ligadas à progressão da esteatose hepática.


Pesquisas tem mostrado que a suplementação de compostos bioativos antioxidantes contribui
para a melhor do quadro clínico de esteatose hepática por reduzir o estresse oxidativo e a
resposta inflamatória no fígado. A suplementação de magnésio em especial também tem
efeitos terapêuticos na esteatose hepática reduzindo a produção de citocinas mediada pelo
fator nuclear-κB (NF-κB) protegendo as células hepáticas de lesões. Por isso o consumo de
suplementos que contenham compostos antioxidantes e minerais como o magnésio podem
fazer parte de uma intervenção complementar para tratamento da esteatose hepática.


Fonte:
Dietrich P, Hellerbrand C. Non-alcoholic fatty liver disease, obesity and the metabolic
syndrome. Best Pract Res Clin Gastroenterol. 2014 Aug;28(4):637-53. doi:
10.1016/j.bpg.2014.07.008. Epub 2014 Jul 11. PMID: 25194181.

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