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02/02/2022

As doenças inflamatórias intestinais (DII) atingem certa de 10 milhões de pessoas em todo
mundo e vem crescendo a cada ano. As DII atingem principalmente pessoas jovens em idade
ativa que passam a ter de conviver com essa doença crônica ao longo da vida. O termo DII em
si engloba um conjunto de distúrbios crônicos que afetam o sistema digestivo, principalmente
o cólon.


Os tipos mais comuns de DII são a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, ambas são
doenças inflamatórias crônicas do intestino, de origem ainda desconhecida, mas que parecem
se estar relacionadas com a interação da microbiota intestinal e resposta imune. Os principais
sintomas dessas DII incluem desconforto abdominal; sensação de estufamento; dor
abdominal; cólicas intestinais; alternância entre períodos de diarreia e de prisão de ventre;
flatulência (gases) exagerada, sensação de esvaziamento incompleto do intestino e
deficiências nutricionais. Por se tratarem de doenças crônicas, esses sintomas podem se
manter por longos períodos, se tornando debilitantes e prejudicando a qualidade de vida de
pessoas com DII.


A principal função do cólon é de absorver água e sais minerais e vitaminas dos alimentos
digeridos, no entanto o colón também abriga uma grande quantidade de micro-organismos
que compõe a microbiota intestinal e desempenham papel importante no controle da
homeostase. As DII parecem resultar de respostas imunes do hospedeiro à microbiota
intestinal desequilibrada. A microbiota intestinal por sua vez, pode ser influenciada pela dieta,
uso de probióticos, prebióticos, antibióticos entre outros fatores ambientais.


A teoria mais bem aceita sobre a patogênese de DII é que a inflamação intestinal crônica surge
como consequência de uma disbiose intestinal que induz uma resposta imune aberrante da
mucosa intestinal em indivíduos geneticamente predispostos. Além disso, a microbiota
intestinal saudável é fundamental para o desenvolvimento e diferenciação do sistema
imunológico local e sistêmico. Esses micro-organismos podem proteger o hospedeiro de
infecções patogênicas entéricas.


Uma estratégia promissora que vem sendo associada ao tratamento convencional para DII é a
modulação da microbiota intestinal através da suplementação de fibras alimentares. A
suplementação de fibras costuma ter resultados positivos, já que pessoas com DII
normalmente apresentam uma diminuição nas espécies bacterianas produtoras de butirato,
bem como uma diminuição na expressão de transportadores de butirato no intestino. Durante
a suplementação, as fibras ingeridas são fermentadas pela microbiota no cólon, onde
promovem uma maior diversidade bacteriana, preservam as barreiras da mucosa e estimulam
a produção de ácidos graxos de cadeia curta que, por sua vez, modulam positivamente a
homeostase intestinal e reduzem a inflamação, contribuindo para a melhora dos sintomas de
DII de maneira não medicamentosa.


O consumo de suplementos ricos em fibras alimentares que promovam o crescimento de uma
microbiota saudável pode contribuir para a remissão da doença e, possivelmente, prevenir
qualquer recidiva por meio da manutenção de uma microbiota equilibrada. Por isso, utilizar
estratégias com baixo risco de efeitos adversos para modular a composição e o metabolismo
da microbiota intestinal pode ser uma estratégia para o controle das DII e melhor da qualidade
de vida das pessoas que convivem com essas doenças.


Fonte:

Tomasello G, Mazzola M, Leone A, Sinagra E, Zummo G, Farina F, Damiani P,
Cappello F, Gerges Geagea A, Jurjus A, Bou Assi T, Messina M, Carini F. Nutrition,
oxidative stress and intestinal dysbiosis: Influence of diet on gut microbiota in
inflammatory bowel diseases. Biomed Pap Med Fac Univ Palacky Olomouc Czech
Repub. 2016 Dec;160(4):461-466. doi: 10.5507/bp.2016.052. Epub 2016 Oct 26.
PMID: 27812084.

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