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23/02/2022

Por definição, a resistência à insulina pode ser descrita como o comprometimento da ação da insulina. A insulina é o hormônio pancreático responsável por transportar a glicose da corrente sanguínea para o interior das células. Em casos de resistência à insulina, esse transporte é prejudicado levando ao acúmulo de glicose na corrente sanguínea, também conhecido como hiperglicemia que está presente tanto em casos de resistência à insulina, pré-diabetes e diabetes tipo 2.

O pré-diabetes é um estado de hiperglicemia em que o limiar para diabetes ainda não foi atingido, podendo levar ao desenvolvimento de diabetes tipo 2 e também de doenças cardiovasculares. O pré-diabetes pode evoluir para o diabetes tipo 2 em si, que é caracterizado pela elevado nível de glicose no sangue, resistência à insulina e diminuição ou ausência da produção de insulina. Em muitos casos os sintomas manifestam-se de forma gradual e lenta. Os principais fatores relacionados com o surgimento dessas doenças são a obesidade, o sedentarismo e uma alimentação pouco saudável.

A hiperglicemia leva ao aumento da produção de marcadores de inflamação crônica como as citocinas, contribuindo para a geração de espécies reativas de oxigênio (EROS), o que acabam por causar estresse oxidativo. Por outro lado, o aumento do estresse oxidativo e a inflamação podem levar à resistência à insulina e diminuição da secreção de insulina. Levando a formação de um ciclo vicioso entre hiperglicemia e resistência à insulina. Por isso, o tratamento adequado da hiperglicemia e inibição da superprodução de EROS é crucial para prevenir o início do diabetes.

Por ser uma doença silenciosa, o diabetes afeta milhões de pessoas em todo o mundo e está entre as dez primeiras causas de morte. Entre as complicações que podem surgir a longo prazo estão doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais, retinopatia diabética que pode causar perda da visão, insuficiência renal e problemas de cicatrização.

Considerando as altas taxas de prevalência de doenças metabólicas ligadas à resistência à insulina, estudos sobre a microbiota intestinal têm crescido consideravelmente abordando o papel da microbiota intestinal como mediador cardiometabólico na modulação da sensibilidade à insulina. Os dados disponíveis mostram os efeitos benéficos consistentes da suplementação de prebióticos e alguns probióticos para manter a integridade da barreira intestinal, e bom funcionamento do sistema imunológico e metabolismo a longo prazo em pessoas com obesidade e risco cardiometabólico. Desta forma, a suplementação com prebióticos e probióticos, associada a um estilo de vida saudável, pode representar uma estratégia para prevenção do surgimento de quadros de resistência à insulina, assim como, em combinação com terapias medicamentosas quando necessário, atuar como uma terapia integrativa promovendo um melhor controle da doença para pessoas diabéticas.

Fonte:

Kim YA, Keogh JB, Clifton PM. Probiotics, prebiotics, synbiotics and insulin sensitivity. Nutr Res Rev. 2018 Jun;31(1):35-51. doi: 10.1017/S095442241700018X. Epub 2017 Oct 17. PMID: 29037268.

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