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14/12/2021

Você sabe da importância do eixo intestino-fígado? As doenças hepáticas não alcoólicas estão entre as principais causas de cirrose e morte relacionada ao fígado em todo o mundo há décadas. As primeiras descobertas sobre doença hepática não alcoólica mostraram a participação de toxinas derivadas de micro-organismos do intestino no surgimento dessas doenças. Assim surgiu o conceito do eixo intestino-fígado, que representa a relação entre a microbiota intestinal e o fígado, devido a integração gerada por fatores como genética, escolhas alimentares e estilo de vida. Essa interação é estabelecida pela veia porta, que permite o transporte de moléculas derivadas do intestino diretamente para o fígado, e do fígado para o intestino através da bile e da secreção de anticorpos. O intestino possui uma barreira mucosa e vascular onde acontecem as interações entre o intestino e o fígado. Essa barreira tem função seletiva, limitando a entrada de micro-organismos patogênicos e toxinas no organismo, além de permitir que os nutrientes acessem a circulação sanguínea e cheguem ao fígado.


Doenças hepáticas por si só estão associadas a profundas alterações na microbiota intestinal e danos nos diferentes níveis de defesa da barreira intestinal, incluindo as barreiras epitelial, vascular e imunológica. Estudos recentes mostram que moléculas produzidas pela microbiota intestinal em desequilíbrio como trimetilamina, ácidos biliares secundários, ácidos graxos de cadeia curta e etanol, podem levar à doença hepática gordurosa não alcoólica. O consumo de uma dieta desbalanceada com grandes quantidades de alimentos industrializar pode gerar um grave distúrbio da barreira intestinal. Nas doenças hepáticas um padrão alimentar pouco saudável pode levar ao enfraquecimento dessas barreiras intestinais, permitindo a entrada de bactérias causadoras de doenças, gerando infecções bacterianas e levando à progressão da doença hepática. Uma das endotoxinas bacterianas comumente encontradas na circulação portal são os lipopolissacarídeos (LPS). O LPS aumentado é um sinal pró-inflamatório derivado de bactérias a microbiota intestinal desequilibrada que contribui para a inflamação no fígado por meio da ativação de receptores Toll-like 4.


O eixo intestino-fígado tem vários níveis de conexão, incluindo a microbiota intestinal. A importância do eixo intestino-fígado se da pelo controle das comunidades microbianas, que também são fundamentais para manter a homeostase desse eixo, e como parte dessa via de mão dupla, o fígado molda as comunidades microbianas intestinais.


Assim, identificar os elementos do eixo intestino-fígado danificados em casos de doença hepática não alcoólica oferece possibilidades de intervenção para além dos antibióticos. Terapias para o tratamento de doenças hepáticas centradas no intestino são inovadoras e contribuem para o equilíbrio da microbiota intestinal, que por sua vez previne a instalação de doenças hepáticas. Por isso, a suplementação de moléculas prebióticas capazes de remodelar a microbiota de maneira saudável podem ser usadas como alternativas para prevenção e tratamento das doenças hepáticas.


Fonte:
Albillos A, de Gottardi A, Rescigno M. The gut-liver axis in liver disease: Pathophysiological basis for therapy. J Hepatol. 2020 Mar;72(3):558-577. doi: 10.1016/j.jhep.2019.10.003. Epub 2019 Oct 14. PMID: 31622696.

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